Para se sentir bem

Beatriz Soares

Meu nome é Beatriz, tenho 30 anos e moro da minha mãe, uma mulher ativa, batalhadora, vaidosa, que alegra o ambiente em que está.

Ela tem 60 anos e sofreu um acidente de ônibus que resultou na amputação do seu pé direito. Do dia pra noite, de uma mulher ativa e independente, ela passou a ser alguém que precisaria de cuidados por algum tempo.

Ser cuidadora dela foi muito difícil porque dói muito ver sua mãe precisar disso. Cuidar de alguém da família tem um ponto muito importante que é o laço afetivo. É uma mistura de muitos sentimentos. Amor, tristeza, cansaço, satisfação, desespero e amor. Amor.

As trocas de curativos eram muito doloridas. Tanto pra mamãe quanto pra gente, que sofria muito ao vê-la sentir dor. Mas seu positivismo e alto astral nos deram forças para passar por esse processo difícil (5 cirurgias e um enxerto de pele além do trauma).

Eu daria minha vida para fazê-la se sentir melhor. Infelizmente nem tudo estava ao meu alcance e essa era uma das partes mais difíceis. É uma sensação de impotência que eu tive que aprender a lidar.

Mamãe continua sendo a alegria por onde passa. No grupo de psicologia, é a paciente que as psicólogas aguardam ansiosamente a chegada porque ela incentiva e pega no pé de todos. Ela é a paciente mais responsável (faz rigorosamente todos os exercícios em casa) e fez várias adaptações em casa para conseguir fazer tudo sozinha. As vezes eu nem lembro das suas limitações porque a partir do dia que a ferida cicatrizou, ela passou a fazer tudo sozinha. Por enquanto, ela anda com auxílio de um andador e colocou nele uma cesta para transportar as coisas que precisa (roupas, alimentos ou qualquer outra coisa que seja necessária). Ela também criou uma sacola especial onde consegue colocar tudo o que precisa transportar (independente do tamanho). Além disso, como ela não consegue ficar parada, mamãe começou a criar roupas de bonecas em EVA. Agora seu ramo são as bonecas deficientes (com cadeira de rodas e muletas) e ela tem feito a alegria da criançada no Núcleo de Reabilitação que frequenta.

Mamãe é de uma resiliência inigualável e com certeza é um exemplo de força a ser seguido. Ter tido o apoio da minha família (principalmente o da minha mãe) fez toda a diferença no nosso processo de recuperação. Cuidar é uma tarefa muito cansativa e gratificante, mas que é muito retribuída com os avanços diários, com os carinhos, com os olhares e o amor.

(Beatriz Correia Ribeiro Soares)

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